O balanço do Campus Party

Depois de uma semana acampando em estado primal, com as únicas necessidades inerentes sendo absorção e compartilhamento de conhecimento e tecnologia, vamos a um rápido balanço do Campus Party.

Faço um comentário sobre a parte da lanparty, ou BYOC (Bring Your Own Computer), pois é um caso à parte.

Foi impressionante ver, em plenas 5 da manhã de cada dia, que quase todos os campuseros ainda estavam lá, alguns em estado de letargia, absorvidos pelos FPS, RTS e MMORPGs, outros blogando e postando conteúdo na rede, outros desenvolvendo software, outros montando seus robôs peça a peça, outros fazendo arte eletrônica…

Depois que o dia amanhece e o evento acaba, é como voltar da “Matrix”.

Estes foram alguns dos últimos destaques que me chamaram a atenção:

Duas palestras mostraram boas soluções brasileiras para áreas distintas: o Muan, um software de animação quadro-a-quadro, que foi demonstrado pelo Marcos Magalhães (conhecido no Animamundi), com muitos recursos para quem faz este tipo de arte.

E a linguagem de programação Lua, criada nos laboratórios da PUC-Rio, que foi bastante popularizada no exterior e colabora para a redução da quantidade de linhas de código em seus programas. É sempre bom ver que temos soluções competentes nacionais.

Em um evento que privilegia tanto o software livre, surgiu uma palestra da Microsoft demonstrando o Silverlight, a cartada da empresa para tentar combater o monopólio do Adobe Flash nas animações e interfaces web. René de Paula Jr demonstrou algumas funcionalidades, como a possibilidade de utilização de vídeos de forma leve e intuitiva e o padrão aberto XAML que evita a utilização de arquivos binários. Tal padrão, aliás, poderia ajudar bastante o mercado de publicidade online, que vive com problemas de finalização de criativos a serem veiculados em sites.

E a Microsoft Brasil chegou até a realizar um beta testing com a Agência Click, para (tentar) provar que o Silverlight pode ter o desenvolvimento de hotsites mais eficiente do que o Adobe Flash.

Na área dos blogueiros, foram entrevistados alguns hackers conhecidos no cenário de segurança: Ramon (criador do software Metasploit), Rodrigo “BSDaemon” (kernel hacker hoje em dia contratado pela IBM), Blake Hartstein e Georgy Berdyshev (conhecidos no cenário internacional). Foram discutidas a ética hacker e a diferença entre crackers e hackers, para que não haja dúvidas ou preconceitos sobre quem é quem.

Seguindo a linha do evento, toda a relação dos hackers com software livre e disseminação de informação foram privilegiadas, de forma clara e elusiva. Como diria Bernard Shaw: “If you have an apple and I have an apple and we exchange these apples then you and I will still each have one apple. But if you have an idea and I have an idea and we exchange these ideas, then each of us will have two ideas”.

E olha só, quem levantou a galera na sexta-feira foi o nosso astronauta brasileiro, Marcos Pontes. Com muita humildade, simpatia e patriotismo ele resumiu sua história de vida, deu macetes aos candidatos a astronauta e contou um pouco do que se passava na cabeça dele e quais foram as curiosidades quando foi representar a nação na missão espacial. Nem John “Maddog” Hall conseguiu levantar os campuseros com um discurso tão “caseiro” e emocionante!

Finalizo por aqui, gostaria apenas de deixar registrado alguns puxões de orelha em pequenas falhas técnicas como:

  • Poluição sonora: muitas palestras acabaram ficando lado a lado simultaneamente e a proximidade com os campeonatos na lanparty acabavam deixando alguns palestrantes inaudíveis. E axé no último volume as 3 da manhã de sábado foi totalmente, totalmente desnecessário;
  • Fumar é proibido na Bienal, mas a proibição não estava sendo muito seguida;
  • O Parque do Ibirapuera tem estacionamento com zona azul e portões com horários restritos, isso dificulta a mobilidade;
  • O transporte de hardware em um espaço tão grande quanto a Bienal poderia ser melhor planejado, não é mole carregar 30kg de equipamentos

Independente disso, os organizadores fizeram um excelente trabalho em tocar esse evento com muita eficiência e tudo indica que em 2009 teremos uma nova edição. Torço para que entre permanentemente no calendário dos próximos anos!

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